Jacques Van de Beuque

Colecionador

Jacques Van de Beuque descobre a arte popular brasileira ao chegar a Recife, quando é contratado por uma empresa aérea para fazer as vitrines de suas lojas em todo o país. Em Pernambuco, encanta-se com os bonequinhos de barro e outras criações populares, feitas por artistas e artesãos locais. Adquire algumas obras e, a partir de então, não cessa jamais de comprá-las, vindo a formar pouco a pouco uma grande coleção.

Atraíam-no, sobretudo, a vivacidade, as cores e formas de pequenas obras que encontrava. Na época em que inicia a coleção, os objetos criados pelas pessoas simples, do povo, eram vistos como documentos e objetos etnográficos. Alguns artistas e intelectuais propunham, ainda que timidamente, outro gênero de aproximação com o objeto popular, diferente daquele empreendido então pelos folcloristas, que geralmente o tomavam apenas como objeto-testemunho de uma tradição ou de uma prática de vida. Jacques entende essa produção como arte.

“Independente de quem faz, das circunstancias em que é feito, só comprei peças que me impactaram como obras de arte. Jamais cedi a razões ideológicas. Usei meu gosto pessoal. Na maioria das vezes, não posso dizer porque esta peça é melhor do que aquela. Apenas sei que uma me fala mais do que a outra. A peça fala por si. Nem sempre um mesmo artista produz coisas instigantes o tempo todo. Há um conjunto de elementos que os críticos de arte nomeiam e que eu apenas sinto. Tem a ver com harmonia, com ironia, com um algo mais provocativo que faz uma peça tornar-se única”. (Mascelani, Angela, Dissertação de Mestrado, EBA/UFRJ, 1996)

Durante quarenta anos, Jacques Van de Beuque realiza viagens de pesquisas por todo o Brasil, conhecendo lugares distantes dos grandes centros, onde descobre artistas como Mestre Vitalino, Manuel Galdino, Nhô Caboclo, Manuel Eudócio, Zé Caboclo e Ciça. No Rio de Janeiro e em suas cercanias, faz longas amizades com alguns artistas cuja produção acompanhou por mais de vinte anos.